(fotos da ação performativa realizada em dois momentos: 1) na Parada Gay de Salvador, em 2018 e 2) em meio a pandemia do coronavírus, em 2022 + vídeo-registro feito por Mayara Ferrão do seu primeiro momento)

cervejas geladas e re-rotuladas com "É SÓ AMOR", fui com um isopor para a frente do Teatro Castro Alves, onde os trios elétricos se concentravam para a Parada Gay de Salvador e com um megafone comecei a anunciar "AMOR: 2 x R$ 5" convocando a atenção das pessoas que estavam ali. o ano era 2018 e me interessava colocar o amor nas rodas de conversa, no rolê da festa, entre amassos, churrias e flertes. não o amor vendido em filmes, novelas, músicas e comerciais de margarina que protagonizam a cisheteronorma colocando a comunidade dissidente à margem numa severa teia de objetificações que potencializam estigmas. a tal promiscuidade é uma das estampas que colocam no objeto que dizem que somos. a Parada Gay é mani-festa! protesta-e em trios e ruas, assim como em corpos e bocas. exige-se o direito de viver, de existir, de amar! brilhos, bebidas e beijos são instrumentos dessa manifestação. objetifiquei o amor na cerveja. queria falar do que enxarca as bocas, destempera o juízo, desloca o corpo. do amor que dura uma Parada assim como aqueles que constrõem paradas pra uma vida. em meio a pandemia, observando o movimento que radicalmente instituiu a fronteira de "segurança" como a casa, senão o próprio corpo mascarado, decido retomar a performance. desta vez, ao invés de ir para a rua, opto por entregar na casa das pessoas, como um delivery (serviço tão evidenciado no contexto privilegiado de isolamento social). quis enviar amor, refrescar a vida, manifestar meu desejo de ser junto. com sacolas ao invés de isopor, costurei a cidade entregando cervejas geladas e re-rotuladas com "É SÓ AMOR".

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