(foto-performance criada em ambiente de confinamento para a Plataforma Criativa sobre HIV/AIDS "Como Eliminar Monstros", em eco ao ato performático realizado em praças de Salvador em 2018, onde me dispunha a entregar tomate às pessoas na rua para que lhe atirassem diante da possibilidade de mirar um corpo positivo)

houve uma época em que se atirava TOMATE naquilo que não se queria ou aceitava. insatisfação. tradição. manifestação. liberdade de expressão. exposição por negação. por convicção. para afastar o que não é correto ou para validar aquilo que gosto, aceito, concordo, afirmo, AMO. a imposição do meu ponto de vista sobre o outro. para silenciar, churriar, marginalizar, aniquilar. técnica de extermínio. o que não se alinha a norma é o alvo. na cena, na rua, no palanque, na rede social, na cama, na igreja, no posto de saúde. é a moça que lança o vermelho, o senhor que sai carmim, a mulher que fica bordô, o cara que borgonha, barganha e viraliza na internet. entre o quem atira e quem é atirado há um hi-ato. técnica de afetação. de que lado você está? quem é que normatiza o sentir, o desejar, o existir? em qual circunstância posso confiar para assumir o TO? qual lógica vai me colocar na mira do MATE? quem terá a coragem de falar AMO quando eu disser? tomate-coração. ponto de encontro entre amor e morte. pico de prazer e medo. manifesto indetectável do existir. técnica de afirmação. TOMA, TE AMO. cicatrizes não se transferem, mas lembranças ajudam a transformar. positividade ancestral. por uma passagem que grita na cara da mira: TOMATEAMO.

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